[ Filme ] “Tintin” vai agradar. Mas legal mesmo é o capitão Haddock

Eu sempre fico com um pé atrás para adaptações de quadrinhos para o cinema, mas quando vi o trailler de “As aventuras de Tintin – o segredo do Licorne”, fiquei louco para ver o filme. E o longa não me decepcionou – acho até que ele consegue realizar uma façanha difícil para adaptações: deve agradar ao mesmo tempo o grande público e os fãs.

O que a dupla Steven Spilberg e Peter Jackson fez foi fundir três histórias de Tintin em uma só, usando a tecnologia de “Avatar” para manter a caracterização dos personagens, mas com uma cara mais realista. A estratégia funciona, e o filme não é exatamente igual ao traço de Hergé, o criador do personagem, mas parece funcionar perfeitamente na linguagem do cinema.

O herói é bem conhecido aqui no Brasil – ao menos pela minha geração – pela série de desenho animado que passava na TV Cultura. Me lembro também de ter lido algumas HQs no SESC, que tinha um acervo interessante e sempre me chamavam a atenção, junto com as HQs de Asterix. Só recentemente fui saber que Tintin era odiado por alguns críticos. Explico: os primeiros livros de Tintin são carregados de preconceito. Em “Tintin no Congo”, por exemplo, os nativos e negros eram tratados como inferiores aos europeus. Felizmente, Hergé mudou completamente de ideologia nos anos 60, e fez uma extensa revisão nas suas obras, retirando as passagens preconceituosas.

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[Dicas] Para aproveitar as palavras

Usamos palavras o tempo todo, para falar, para escrever, se comunicar. Mas nunca prestamos muita atenção para o porquê de usarmos determinadas palavras, e não outras. Ou como as línguas mudam, aos pouquinhos. Pensar as palavras, as origens e usos, pode não ajudar muito na hora de escrever, mas é sempre interessante entender como funciona essa coisa maluca que é a língua. Por isso, para as indicações do Sanduba de hoje, selecionei uma série de blogs que falam exatamente sobre a língua.

Um blog legal para começar a pensar as palavras é o “Sobre Palavras”, do jornalista Sérgio Rodrigues. O blogueiro fala de língua e gramática e tira as dúvidas de leitores, mas não é como aquela velha aula de português, em que “aprender” era sinônimo perfeito de “decorar”. Mas o mais interessante do blog é a seção “Curiosidades etimológicas”, onde o jornalista detona os “mitos” linguísticos que volta e meia aparecem por aí, como aquele que diz que a palavra “forró” viria do inglês “for all”, por exemplo.

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[ Filme ] Lolita, 97

Resenha do filme Lolita, de 1997 dirigido por Adrian Lyne

Enquanto lia Lolita não era tarefa difícil imaginar os personagens, nem tampouco algumas passagens – muito pelo fato de que eu sabia de que havia já uma adaptação cinematográfica. Uma não. Duas: a segunda de 97, dirigida por Adrian Lyne (também dirigiu Flashdance, what a feeling!) e com Jeremy Irons no papel do professor Humbert Humbert.

Um filme muito mais fiel ao original do que o de 62 escrito pelo próprio autor do livro (vai entender) e que é sim muito melhor que o de 62, tanto como filme como adaptação de uma obra-prima da literatura. A história, a mesma: europeu se muda para a América e encontra na casa de Charlotte Haze, a mulher que o hospeda, o objeto de seu amor e desejo: Lolita, a filha.

Ah, Lolita.

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[ Planescape ] Troy Denning, e suas páginas da dor

Resenha do livro Pages of Pain, de Troy Denning.

A literatura de RPG. Coisa batida, mas sempre interessante, emocionante, fantasiosa, criativa. Me parece que todos os textos de RPG são feitos pelo mesmo cara que adora uma descrição minuciosa, comparativos, batalhas épicas, inglês corretinho, muito sangue, descrição de cada golpe desferido. É uma diversão à parte.

Eu nunca tinha lido, a bem da verdade, um livro de RPG – desses de histórias baseadas em algum mundo conhecido (como Forgotten Realms, Dragon Lance e etc.), portanto Pages of Pain, de Troy Denning foi minha primeira experiência – eu já estava acostumado com essa eloquência de tanto jogar os jogos de RPG, daí vem o meu ‘profundo’ conhecimento dessa literatura sã.

Baseado no incrível mundo de Planescape (uma das ambientações mais ricas e diferenciadas nesse mundo do RPG), o livro conta a história de um herói amnesíaco que aporta na cidade de Sigil (o centro do multiverso) para entregar à governanta dessa cidade uma ânfora dos deuses pois, em caso de sucesso, suas memórias poderiam ser recuperadas pelo remetente. E assim, o forasteiro chegando de um plano muito mais superior onde suas glórias são cantadas e reconhecidas, depara-se com uma sociedade completamente devassa e, pior, alheia aos seus feitos e pouco enlevada por seu visual limpo.

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[ Filme ] not.Lolita: Quilty

Resenha do filme Lolita, de Stanley Kubrick, 1962

Enquanto lia Lolita não era tarefa difícil imaginar os personagens, tampouco algumas passagens – muito pelo fato de que eu sabia de que havia já uma adaptação cinematográfica. Uma não, duas. A primeira de 62, dirigida por Kubrick e escrita pelo próprio Nabokov e ainda com a gigante participação de Peter Sellers (sem dançar). Receita para a obra-prima, certo? Errado.

Se o filme abre os créditos com uma cena que é uma pancada na testa – tenha lido ou não o livro, o restante das horas não chega a ser tão empolgante como o original (ora, vá!). Um close nos pés tortinhos da menina e a mão caluda do pai pintando-a com vagar, botando algodão por algodão entre seus dedos para pintá-los preguiçosamente; o close inicial parece ser um dos poucos momentos geniais de Kubrick em cima da criação não menos genial de Nabokov.

É um bom filme de 62. E só. Curioso apenas para quem gostou do livro. Como adaptação não é nada inspirada e aquilo que temi durante e ao final do filme, revelou-se verdade depois de fácil procura na interwebz: a censura evitou cenas menos família, digamos assim. E o livro nem é tão baseado nesses momentos pesados, não. Foi mais aquela velha historinha americana dos bons costumes que deixa, dentro de casa, o pai se aproveitar da filha, mas no cinema, com todo mundo vendo, não se mostra nada, jamais!

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[ Filme ] Yippie-Ki-Yay, com pé nas letras

Sou fã longevo de John McClane, o tough guy dos filmes de Duro de Matar – Bruce Willis no seu estado mais puro e um dos melhores papéis de um tira chuta-bundas nessa maravilha de cinema. Muita gente gosta, principalmente os que adoram umas explosões, perseguições, tiros, sangue, diálogos modafócas e toda sorte de situações impossíveis – onde, basicamente, o duro de matar, obviamente, nunca morre e se safa de maneiras cada vez mais incríveis.

Mas uma das coisas mais curiosas de Die Hard é que três, dos quatro filmes que foram lançados até agora da franquia, são baseados em publicações literárias (e você ainda acha que tem coisa original sendo feita no cinema); mais curioso ainda é notar que, na verdade, os livros não são exatamente sobre a franquia, nem utilizam do personagem McClane, muito pelo contrário, são romances de ação e thriller que passam longe do mundo vivido pelo detetive nova-iorquino e que, a bel prazer de roteiristas, acabam virando histórias em torno do personagem de Bruce Willies. Algo assim: poxa, que livro bacana esse aqui hein? Agora imagine o John McClane no papel principal. E isso é muito, mas muito comum em filmes por alá.

E foi assim, que três dos filmes foram feitos. =D Veja abaixo uno-por-uno:

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[ Livro ] Lolita

Lo.li.ta. Nabokov começa na boca, detalhando todos os movimentos que o músculo de sua língua faz ao pronunciar o nome de sua pequena amada (perdoa o trocadilho).

É nesse detalhamento, nessa preocupação com pedaços menos usuais que Vladimir Nabokov faz passear a sua história. Esses detalhes, veja bem, que tanto tira o foco do narrador não são esses de prateleiras (como a ode à natureza morta ou aos olhos de um alguém), mas de pedaços determinantes como os pés amarelos de ‘macaquinha’ ou a covinha que antecede o sorriso maroto de sua menina – são esses berloques que te pregam desprivinido.

A contracapa de minha versão – aquela da Folha, diga-se – resume rasteiramente como um romance ‘boy meets girl’, ora seu editor, por favor. Muito além disso, o livro é um depoimento apaixonado e sincero de um homem que, trocando logo tudo em miúdos, é um pedófilo que se apaixona perdidamente por sua enteada. E a sinopse lhe desperta automaticamente aquele sentimento de repulsa que nos habita por conta de valores morais, embora o livro e a narrativa do autor aos poucos vai destruindo essa repulsa (!) – o que não nos torna a todos pedófilos ao final do livro, pelo amor de deus, mas apenas admiradores de uma literatura gigante.

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[ Conto? ] Não, eu não te amo não

Isso de amar é complicado. Todo mundo tá amando. Tá fácil amar. Aí se eu falo que te amo, nem parece que eu te amo. Por isso não digo. Eu guardo. Não solto. Não que eu te ame, também. Só estou falando de possibilidades. Eu poderia te amar, por que não? Não é questão de sentimento, parece mais de razão no caso – eu poderia te amar, mas não amo. Digo, não digo. Mas poderia. Mas se amasse, não diria. Todo mundo diz. Mesmo quem não ama. E quem não ama, mas diz, não sabe que não ama, pensa que ama. Aliás, tem certeza que ama. Até o sexo chamam de amor. Quem tá trepando, tá amando. Fazendo amor. Eu não faço amor – se faz o amor. O amor é sujeito oculto, não? Então ele observa a gente amando, transando. Eu amo, te amo, vc ama. É tudo cinco letras, estrela de cinco pontas. Pra baixo. Mas não te amo, se bem que… daria, né. Eu digo. Você é amável, eu te amaria fácil. Você é altamente amável. Mas você quer ser amada, aí que mora o bichano. Você fica esperando essa coisa de amor, de flores, de eu te amos. Aí tira o tesão de amar. Por que se eu te amo… digo, se eu te amar. Você vai esperar de mim um amor já prontinho, desses de novela. E às vezes eu nem te amo assim, eu te amo mais racha de carro, final de campeonato, e você espera uma novela das oito. Ou pior: você curte um amor rock n roll e eu te amo meio paulo coelho. Mas hoje ninguém ama também, pessoal só curte curtir. Cafona quem ama. Não, não, chega disso. Não, amor, eu não te amo. Embora… Bem. Você sabe né…

Bruno Portella


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[ Blog ] Sabor de letra na rede

Não seria a primeira vez que você leria uma troca de correspondências entre autores, nem seria novo um diário numa cidade estranha e totalmente diferente da sua de origem. A diferença está no meio. O que antes estava compilado e preso às páginas de livrões (amados livrões), ganha espaço também na internet.

Sim, trata-se de um blog. Mais especificamente o Blog do Instituto Moreira Salles. Não é só um apanhado de historinhas, mas textos com muita “sustância literária”. Autores brasileiros participam de todo tipo de texto e fazem valer uma visita quase todo dia – ritmo de atualização do site.

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[ Livro ] Atíria, a Borboleta

O Caso da Borboleta Atíria é desses clássicos infanto-juvenis da linda e terna Coleção Vaga-Lumes, que me parece ter embalado a imaginação de muito petiz que hoje parelha a minha idade. Narra a desventurade uma borboleta, Atíria, que nasce com uma asinha defeituosa – que a faz ter severas dificuldades para voar, o que também a torna extremamente querida pelas demais criaturas da floresta (esse velho chavão delicioso da gentileza para com os deficientes, tão irreal, quanto saboroso na ficção).

Não somente um nasce, vive e morre da insetinha. Mas Lúcia Machado de Almeida (que a floresta a tenha) usa a gracinha central como um vórtice para todo um mistério que começa a abalar as cercanias da floresta: um curioso e temível assassino serial de borboletas. Lembro bem (falo como se escrevesse sobre a minha leitura de 96, mas a bem da verdade reli não faz nem um ano o ótimo livrinho =), dizia eu que lembro bem, de como os mistérios desenvolvem em Atíria um espírito de perigosa aventura, um misto de princesa desavisada com a deficiente justiceira – a teoricamente vítima tornando-se a heroína da história.

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