Eu sempre fico com um pé atrás para adaptações de quadrinhos para o cinema, mas quando vi o trailler de “As aventuras de Tintin – o segredo do Licorne”, fiquei louco para ver o filme. E o longa não me decepcionou – acho até que ele consegue realizar uma façanha difícil para adaptações: deve agradar ao mesmo tempo o grande público e os fãs.
O que a dupla Steven Spilberg e Peter Jackson fez foi fundir três histórias de Tintin em uma só, usando a tecnologia de “Avatar” para manter a caracterização dos personagens, mas com uma cara mais realista. A estratégia funciona, e o filme não é exatamente igual ao traço de Hergé, o criador do personagem, mas parece funcionar perfeitamente na linguagem do cinema.
O herói é bem conhecido aqui no Brasil – ao menos pela minha geração – pela série de desenho animado que passava na TV Cultura. Me lembro também de ter lido algumas HQs no SESC, que tinha um acervo interessante e sempre me chamavam a atenção, junto com as HQs de Asterix. Só recentemente fui saber que Tintin era odiado por alguns críticos. Explico: os primeiros livros de Tintin são carregados de preconceito. Em “Tintin no Congo”, por exemplo, os nativos e negros eram tratados como inferiores aos europeus. Felizmente, Hergé mudou completamente de ideologia nos anos 60, e fez uma extensa revisão nas suas obras, retirando as passagens preconceituosas.
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